Publicado por: Augusto Rodrigues | 24/09/2010

A repetição é a mãe do aprendizado

Neymar: de ídolo a monstro por um escorregão- pensar que podia tudo

Nos últimos dias acompanhamos, mais uma vez, a tragicomédia do jovem pobre, que consegue fazer sucesso jogando futebol e ganha muito dinheiro por seu inegável talento. Até que, quando tudo vai bem, o jovem mete os pés pelas mãos, e como quem nunca comeu melado, quando come se lambuza, o “neo-ídolo” se sente onipotente: “porque sou rico e posso tudo!”. A história é conhecida e o ator da vez é o talentoso e jovem atleta Neymar, 18 anos. Jogador-revelação, que viveu boa parte de sua infância e adolescência correndo atrás de seus sonhos (não só seus como também do pai).

No dia 15 de setembro, irritado porque não foi escolhido para bater um pênalti, discutiu com o treinador, enquanto gritava palavrões capazes de “corar” até os mais acostumados. O jovem foi suspenso… mais que natural! E o treinador… demitido!- “Não mexa com nosso menino, aqui ele pode tudo!”.

Karatê Kid: a bonita lição de "seguir o mestre" para tudo, em todo lugar

Ao ler o fato nos jornais recordei de uma cena emblemática do novo filme Karatê Kid (ainda nos cinemas), em que o jovem aprendiz de Kung fu, também irritado com seu mestre por ser obrigado a repetir em todas as aulas, os mesmos movimentos (colocar, tirar, jogar no chão, apanhar e estender o próprio casaco), abandona o treino e diz: “Isto não serve para nada, você não sabe o que é kung fu”… Mas para sua surpresa, o mestre o faz perceber que, no simples fato de “treinar” com seu casaco havia aprendido os movimentos básicos da luta milenar… porque “Kung Fu está em tudo. Está na maneira como se tira o casaco, coloca o casaco, junta o casaco e trata as pessoas…”

Ser mal-educado não é mal apenas de ricos, mas com certeza é mal de pessoas mimadas demais e, talvez por isso, insensíveis demais. Quantas vezes nós mesmos não tratamos com indiferença alguém por realizar uma atividade “inferior”? Quantas vezes não vimos pais “zelosos” que exigem que o professor aceite calado as “coisas de menino” de seus filhos sob ameaças de demissão – “porque pagamos seu salário”? E mesmo que não usemos de palavrões, como o jogador Neymar, com quais outros “palavrões” agredimos e menosprezamos as pessoas?

Os três jovens, filhos de “gente grande e bem educada” de Brasília, que atearam fogo a um indígena pataxó em 2000, não começaram jogando gasolina sobre pessoas… Começaram acreditando que eram muita coisa e por isso podiam fazer o que quiser. Não estou dizendo que Neymar e nossos filhos, vão sair por aí tocando fogo em pessoas… Mas talvez saiam, como já acontece, tocando fogo em vidas, em empregos, de pessoas que, por acaso, atrapalhem sua formidável onipotência.

Quando pequeno, se eu aprontava, ou agia com má educação, recebia um castigo de minha mãe, talvez ficar sem ir a uma festa, à casa de um amigo, ficar sem sobremesa… Porque se eu era um jovem cristão devia ser cristão em todo lugar, porque ser cristão, assim como o Kung fu, e por que não o futebol, está em tudo: na maneira como me visto, como falo, como escrevo no twitter, como trato as pessoas.

Neymar é jovem, e, tenho certeza, vai aprender sua lição, se não “em casa” (com a família e no Santos), aprenderá “na rua” (com a opinião pública e a Seleção Brasileira). E junto com ele também nós podemos aprender, e nos esforçar para nunca mais repetir nossas insensibilidades com ninguém, mas ao contrário, repetir sempre os gestos de quem quer aprender a arte de ser cristão, assim como o jovem pupilo aprendeu seu Kung Fu.

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Responses

  1. Parabéns Augusto pelo belo artigo, você está se especializando mesmo heim… de bom gosto, reflexivo e crítico. Creio que precisamos levar cada vez mais os jovens a refletirem deste modo o quotidiano ao nosso redor, tema muito atual para refletir o caráter pedagógico do nosso educar e formar, não só nas nossas casas mas em todo lugar, porque boa educação não tem moradia fixa é dever em todo lugar. É inadmissível que vivendo na era da informação nos deparamos ainda com pessoas de tão mal caráter e sem o menor respeito pelos outros. Valeu a mensagem acho que vou usar em um bom dia! Abraço.. fica com Deus!

  2. Parabéns pelo Artigo Publicado!

    Acredito que erros e acertos são do próprio ser humano, embora também acredito que os erros que cometemos podem ser transformados em acertos dependendo da ótica que se vê, pois o ser humano se difere dos animais por sua capacidade de raciocinar, pensar, refletir, analisar…
    Deste modo, se os erros que cometemos ficarem esclarecidos em nossas mentes e na certeza de que o erro é uma oportunidade de acerto, julgo que os erros são valiosos pelos ensinamentos que nos deixam.

    Faço uma ressalva: Cada ser humano aprende da forma que quer e nem sempre o que aprendemos é construtivo.

    Rezemos para que a nossa juventude esteja sempre aprendendo boas lições com os erros que comete, como foi o caso do (Dre Parker) no filme kung Fu.

  3. Obrigado pelos comentários… e pelo acesso…
    O jovem Neymar, assim como muitos de nossos jovens das obras salesianas, ou com os quais trabalhamos não são monstros… muitas vezes apenas não conseguem lidar com a carga que lhes é cobrada e “explodem” por falta de treino e educação para os valores humanos :)

  4. Gostei muito da sua publicação e do artigo em si.Deparamos muito hoje em dia com tudo isso, justamente por não aplicarmos melhor a educação em nossos filhos e ensiná-los verdadeiramente o respeito para com as pessoas, independente de qualquer classe social, pois se hoje temos condições financeiras pode ser resposta de uma grande luta lá atrás e então valorizaremos melhor, e se já temos de berço o tão sonhado dinheiro temos a obrigação de ensinar como lidar com ele a ponto de não sermos dominados para que não humilhemos os outros.Acredito que a humanidade precisa mesmo treinar mais como no filme Karatê Kid em: põe a casaca, tira a casaca, joga no chão, pega a casaca e repetir tudo de novo…porque “Kung Fu” está em tudo. Está na maneira como se tira o casaco, coloca o casaco, junta o casaco e trata as pessoas…Aprendizado é pura repetição…


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