Publicado por: prenovicos | 02/12/2011

A VIDA PENSA

CREIO NA VIDA RESSUSCITADA!

Anos atrás, pensava eu que a Ressurreição fosse uma condição exclusiva de Jesus e que acontecesse depois da morte, algo próprio da eternidade. Depois comecei a entender que a Vida plena de Deus em Jesus acontece na vida dos outros filhos de Deus quando procuram viver o amor na mesma plenitude e trabalham para que a vida sempre seja plena em toda dimensão existencial humana, em qualquer lugar, em qualquer cultura. A Ressurreição tem várias faces atuais, vigentes entre nós, como um caledoscópio do processo salvífico de Deus:: saúde, esperança, educação de qualidade, participação, cidadania, dignidade humana, carinho, fidelidade, dedicação, ética, presença, esperança, caminhos, buscas, pureza, compromisso social, comunicação, alegria, partilha, festa, comunidade, juventude. Algo como as manifestações surpreendentemente infinitas e novidadeiras da bondade e do amor de Deus.

No dia 4 de Novembro, pareceu-me encontrar uma face da força da Ressurreição aqui na Amazônia: a chegada da índia Ketamyna Atroari. Em algum lugar entre o Amazonas e Roraima.

E porque de minha alegria? O povo Waimiri-Atroari vivia feliz em suas terras até que o progresso resolveu infernizar sua cultura. O governo militar planejou uma estrada, a BR-174, para unir Manaus a Boa Vista. O tracado passava pelo meio das terras indígenas. Além da estrada, os militares geradores da Lei de Segurança Nacional, pensaram em algo mais: a usina de Balbina e a exploração das minas da bauxita e cassiterita de Pitinga. Os indígenas reagiram e se opuseram violentamente à construção da estrada e aos projetos invasivos Visando controlar a revolta indígena foi organizada uma expedição da FUNAI para conversar com as lideranças. A resposta foi negativa. Algo precipitou a gravidade da situação: foi enviada aos índios uma delegação pacificadora de 10 indigenistas entre eles o Padre Caleri; todos foram massacrados, e o massacre foi atribuído aos indígenas, mas investigações posteriores afirmaram o contrário. O nome Waimiri-Atroari passou a significar sinônimo de selvageria, de ferocidade, de entrava ao progresso do Brasil. Os militares consideraram os projetos como uma missão de guerra. Contra o Waimiri-Atroari foram lançadas bombas de napalm, daquele tipo que os gringos usaram nos Vietnam. Balbina inundou mais de 30 mil hectares de terras indígenas. Em 1088, o grupo estava reduzido a 374 indígenas e com alta taxa de mortalidade. Os antropólogos previram que no início da década de 90, a tribo estaria extinta. A censura oficial reinante nada publicou, mas o crime vazou para o estrangeiro, causando horror. Os militares arrefeceram o furor e em 1986 foi criada Fundação PWA, um convênio com a Eletrobrás, que conseguiu uma indenização do governo para as terras inundadas: o dinheiro foi destinado à saúde e educação dos Waimiti-Atroari. Foi o passo da esperança. Aos poucos os índios assumiram o controle dos postos de saúde. E o povo renasceu. Ressuscitou: ”Digam ao mundo que vivemos!”. Entre eles, há 19 escolas tocadas por 54 professores Waimiri-Atroari e outros tantos postos de saúdeT. Este povo vive sem a presença de organizações não-governamentais ou missões religiosas. Os que quase foram dizimados hoje são 1500. Mas o convênio não é eterno, como não foi o governo militar ditatorial. Como a vida vai continuar resistindo quando ocorrer o final do convênio?

Esperamos que a festa do ‘Maryba’( que acontece por ocasião de algum nascimento indígena) se repita muitas e muitas vezes. Afinal, a morte já não tem poder sobre Ele.

Pe. Bené


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